Tenho por hábito esquecer por algum tempo dos objetos que me pertencem e que realmente gosto. Certas vezes, me surpreendo pensando em algum destes objetos e tentando lembrar se ainda existe, e onde pode estar. Hoje pela manhã, me peguei pensando sobre um colar de pérolas que tinha pertencido a uma tia querida que já não está mais aqui entre nós. Virei a casa pelo avesso, pensei que tivesse sido roubado junto com algumas jóias que se foram há certo tempo atrás, mas não tinha certeza. Procurei em todos os lugares prováveis, não encontrei. Quando desiste e resolvi tomar um banho para me acalmar, eis que vou pegar um sabonete especial, que guardo separado dos outros, e olha o que o acaso me mostra, o tal colar, ao fundo de uma caixa de sabonetes de Lavanda Francesa. Não sei como foi parar lá, mas tive uma surpresa agradável e a sensação de que reencontrei na fragrância da Lavanda a tia querida , que se foi, mas deixou saudades...muitas. Tomei o banho, e sai por ai feliz da vida acompanhada pelas pérolas , todas elas unidas pelo fio do colar, como se fosse a imagem de nossos encontros ao longo da vida. E tivemos vários em situações de alegria e de tristeza. Fechei os olhos e pude sentir teu perfume tia, ainda impregnado no colar que carrego em meu corpo.Saudades tia da tua companhia!
sábado, 30 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
O Inconsciente
Muitos amigos me perguntam sobre a palavra inconsciente, que apesar de ter se inscrito no senso comum, poucos conhecem sua dimensão. Há aqueles que dizem: eu não acredito em inconsciente. Mas não é uma religião, portanto não é para ser acreditado ou negado.
Suas manisfestações em rodas de conversa, não me poupam de dizer, olha ai... ato falho, seu inconsciente está falando. Exatamente isso, ele fala pelos erros, pelos lapsos, por aquilo que dizemos e não queremos dizer, por tudo o que foge de nossa razão, controle, e nos surpreende.
É difícil de aceitar que todos temos uma instância que , mesmo fora de nosso domínio , comanda parte de nossas manifestações, talvez porque a ele falte a materialidade.
Vivemos num mundo da imagem, onde aquilo que não é visto, que não pode ser mensurado pela razão, carece de credibilidade.
Mas, há toda uma ciência, a Psicanálise, que tem seus alicerces plantados nesse conceito. E também há trabalhadores, que não são seres iluminados, nem adivinhos, nem iniciados, que se ocupam de escutar as manifestações do inconsciente. Sua iniciação é baseada em estudos teóricos e experiência analítica. Nós, os trabalhadores deste campo do saber, provamos do remédio que indicamos a nossos pacientes: a experiência de falar livremente em presença de alguém a quem confiamos de nossas dores e de nossos amores.Falamos para aquele que nos escuta com delicadeza:o analista. É no percurso de uma análise, que avança em direção a poder se reposicionar diante de alguns significantes que norteiam e, muitas vezes, entravam nossa vida, que atravessamos nossos fantasmas, e nos tornamos analista.
Voltando ao inconsciente, ele é este menino maroto, que teima em esconder-se dentro de nós mesmos, e faz aparições inesperadas que nos surpreendem, pregam peças e ,algumas vezes, até nos envergonham diante do outro.Só para encerrar, ele não tem governo, não respeita leis, não liga para limites, mas invade a razão e bagunça com certezas e verdades inatacávéis.
Suas manisfestações em rodas de conversa, não me poupam de dizer, olha ai... ato falho, seu inconsciente está falando. Exatamente isso, ele fala pelos erros, pelos lapsos, por aquilo que dizemos e não queremos dizer, por tudo o que foge de nossa razão, controle, e nos surpreende.
É difícil de aceitar que todos temos uma instância que , mesmo fora de nosso domínio , comanda parte de nossas manifestações, talvez porque a ele falte a materialidade.
Vivemos num mundo da imagem, onde aquilo que não é visto, que não pode ser mensurado pela razão, carece de credibilidade.
Mas, há toda uma ciência, a Psicanálise, que tem seus alicerces plantados nesse conceito. E também há trabalhadores, que não são seres iluminados, nem adivinhos, nem iniciados, que se ocupam de escutar as manifestações do inconsciente. Sua iniciação é baseada em estudos teóricos e experiência analítica. Nós, os trabalhadores deste campo do saber, provamos do remédio que indicamos a nossos pacientes: a experiência de falar livremente em presença de alguém a quem confiamos de nossas dores e de nossos amores.Falamos para aquele que nos escuta com delicadeza:o analista. É no percurso de uma análise, que avança em direção a poder se reposicionar diante de alguns significantes que norteiam e, muitas vezes, entravam nossa vida, que atravessamos nossos fantasmas, e nos tornamos analista.
Voltando ao inconsciente, ele é este menino maroto, que teima em esconder-se dentro de nós mesmos, e faz aparições inesperadas que nos surpreendem, pregam peças e ,algumas vezes, até nos envergonham diante do outro.Só para encerrar, ele não tem governo, não respeita leis, não liga para limites, mas invade a razão e bagunça com certezas e verdades inatacávéis.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Horas Livres!
Início de semana de feriadão. Tudo, desta vez, vai começar na quinta feira.Tempo bom para ler, estudar, olhar para as entranhas escondidas de nós mesmos. Momento propício à reflexão. Mas estar entre amigos ainda parece a melhor alternativa. Dividir um café, um cálice de vinho, uma sessão de cinema, um jantar compartilhado, uma mesa de bar, ideias dispersas,as alegrias e as dores da vida. Como eles fazem parte de nossa vida! Amigos fraternos são a família que escolhemos. E assim, sem ter clareza do porquê, terminamos por dedicar a eles e a nós mesmos horas de nossas vidas. As horas livres são raras, e por isso devem ter destino que nos traga alegria: a companhia de amigos. Amigos especiais, com quem podemos ser nós mesmos sem temer recriminações, críticas até que sim, porque estas nos fazem repensar, reposicionar questões e, muitas vezes, encontrar soluções inusitadas para problemas antigos.
domingo, 17 de abril de 2011
Lugar de realização
Interessante observar o lugar que cada um ocupa na vida. Saber que dois não podem ocupar o mesmo lugar, mas que novos lugares estão ai para serem fundados, muitos...! Tudo questão de saber girar o olhar e fundar espaços inaugurais, possíveis de serem habitados pelo desejo. Em vários espaços de convivência como trabalho, relações, famílias, parece que se vive buscando ocupar e desocupar lugares. A interrogação que grita é saber qual o lugar que desejamos, e qual é o outro lugar, aquele que foi designado para nós, mas que não diz respeito ao nosso anseio.Planejar ações que permitam sair daqui, migrar para ali, mas continuar mantendo o foco no lugar que aponta para nossos ideais desejantes, se coloca como desafio de uma vida. Cada um de nós tem seu próprio lugar no mundo, às vezes gastamos toda existência a procura dele, mas com certeza, se a alma não é pequena...vale a pena buscar. É no ato da busca que se encontra aquilo que nem se procurava. Quem sabe este não é o lugar ideal, aquele que se impõe pela surpresa ?
quinta-feira, 7 de abril de 2011
O massacre atuado!
É difícil olhar para o estado de todos que compartilham um lugar naquela escola do Rio de Janeiro, aqui no Brasil. Sim os massacres à moda americana acontecem em solo brasileiro, na cidade maravilhosa, num bairro de trabalhadores, gente honesta e que pensa que seus filhos enquanto estão na escola estariam em segurança. Mas a vida atua a tragédia dos livros no dia a dia das pessoas comuns. E atinge no mínimo 12 famílias de forma irrecuperável, mais umas 12 que pedem, oram e cuidam pela recuperação de seus feridos. E uma outra família, mesmo sendo adotiva, que se esquiva de procurar e se adonar deste morto que cometeu o massacre. A quem se credita a responsabilidade pelo ocorrido? Eu, me isento de julgamentos, porque trato com o fio tênue que separa a loucura da sanidade, e sei que , às vezes, as aparências de ser tranquilo, calmo, recolhido em sua solidão, ao invés de ser sinal positivo pode ser forte indício de problemas sérios da ordem do psíquico. Como diz o ditado :"águas paradas são profundas".
Mas agora, o que se coloca em questão não é apontar culpados, mas questionar-se o que se pode fazer para cuidar mais, dar um olhar mais atento à saúde psíquica de nossa população. Estimular o estabelecimento de laços afetivos sólidos, que permitam trocas entre as crianças e os adolescentes e não atos de tamanha violência.
Parabéns aqueles que dedicaram seu carinho pelos serviços prestados às crianças: médicos, enfermeiros,psicólogos e demais profissionais.
E a nós que estamos longe , que fique um espaço de pensamento para tentarmos entender o porquê da violência que se espalha entre nós.
Um olhar cuidadoso a nossas crianças é urgente no momento da história em que estamos inseridos!
Cuidemos da infância e da adolescência , para identificar e encaminhar crianças e adolescentes capazes de cometer futuros atos de massacre. A falta de olhar e escuta pode reverberar em tragédias atuadas por aqueles, que um dia precisaram de uma escuta de especialistas e não tiveram! O matador , não esqueçam, é um doente mental que não foi tratado e nem olhado como deveria ter sido.
Aos pais daqueles que se foram meus mais profundos sentimentos!
Penso que a dor que sinto é semelhante a de toda uma nação , mas com certeza, menos intensa do que a das famílias envolvidas diretamente nesta tragédia.
Mas agora, o que se coloca em questão não é apontar culpados, mas questionar-se o que se pode fazer para cuidar mais, dar um olhar mais atento à saúde psíquica de nossa população. Estimular o estabelecimento de laços afetivos sólidos, que permitam trocas entre as crianças e os adolescentes e não atos de tamanha violência.
Parabéns aqueles que dedicaram seu carinho pelos serviços prestados às crianças: médicos, enfermeiros,psicólogos e demais profissionais.
E a nós que estamos longe , que fique um espaço de pensamento para tentarmos entender o porquê da violência que se espalha entre nós.
Um olhar cuidadoso a nossas crianças é urgente no momento da história em que estamos inseridos!
Cuidemos da infância e da adolescência , para identificar e encaminhar crianças e adolescentes capazes de cometer futuros atos de massacre. A falta de olhar e escuta pode reverberar em tragédias atuadas por aqueles, que um dia precisaram de uma escuta de especialistas e não tiveram! O matador , não esqueçam, é um doente mental que não foi tratado e nem olhado como deveria ter sido.
Aos pais daqueles que se foram meus mais profundos sentimentos!
Penso que a dor que sinto é semelhante a de toda uma nação , mas com certeza, menos intensa do que a das famílias envolvidas diretamente nesta tragédia.
sábado, 2 de abril de 2011
Palavras de Filha!
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Pai só temos um. Quando este se vai o rastro de suas palavras continuam fazendo eco em nossos ouvidos à procura de algum sentido que escapou e que hoje, na ausência do discurso compartilhado, nos faz falta. As palavras do pai são matrizes significantes que nos fazem perambular pelos labirintos da vida. Mas o pai se vai e temos que continuar andando, entrando e saindo dos labirintos da existência, porque a vida não pára, nossa vida não pára, mas cessa a certeza de na incerteza poder sempre retornar a casa paterna. Símbolo de descanso para curar as feridas que o estar no mundo imprime em cada um de nós, e , depois de recuperados , seguir andando.
Pai só temos um. Quando este se vai o rastro de suas palavras continuam fazendo eco em nossos ouvidos à procura de algum sentido que escapou e que hoje, na ausência do discurso compartilhado, nos faz falta. As palavras do pai são matrizes significantes que nos fazem perambular pelos labirintos da vida. Mas o pai se vai e temos que continuar andando, entrando e saindo dos labirintos da existência, porque a vida não pára, nossa vida não pára, mas cessa a certeza de na incerteza poder sempre retornar a casa paterna. Símbolo de descanso para curar as feridas que o estar no mundo imprime em cada um de nós, e , depois de recuperados , seguir andando.
Hoje sinto falta, um vazio que sei nunca se preencherá habita meu interior, falta das palavras paternas, mesmo quando rudes, desconexas e contrárias a tudo que eu pensava. Elas eram música aos meus ouvidos porque representavam possibilidade de diálogo com ele. Como faltou ouvi-lo, mesmo na sutileza de sua dureza para com o mundo, para comigo, para com todos. A falta me fez compreender que ser duro também é estruturante. Sinto falta também da fortaleza da casa paterna e isto me fez tornar minha casa mais forte, lugar de descanso e de abrigo, mas sempre com marcas vivas da figura do pai, hoje bastante presente em minha vida , muito mais do que quando ele estava ao meu lado. Quando perguntam o que faltou dizer ao meu pai, digo que nada, porque só depois de sua ausência pude dimensionar o tamanho e a importância de sua presença. Não sabia que ele me faria tanta falta, e que sua falta doeria tanto. Mas com o tempo fui descobrindo que é possível dialogar com os rastros que ele deixou , e um dia quem sabe, ainda possa escrever a conversa que só poderá acontecer pela falta da companhia.
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